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segunda-feira, 24 de maio de 2010

Curso de Patrão de Alto Mar: medir a altura dos astros para não se perder

Cabo Raso. Domingo 23 de Maio 2010. Crepúsculo vespertino.
A menos de duas semanas do exame de Patrão de Alto Mar o Comandante Martins da Cruz leva todos os seus alunos ao farol de Cabo Raso para registarem a posição astronómica do lugar.

Não falta nada. Estão todos prontos com os instrumentos de navegação necessários para o efeito: Starfinder, para identificar as estrelas, Agulha de marcar, para tirar azimutes às estrelas, Sextante, para medir o ângulo entre o horizonte e o astro, conta-segundos e folhas para anotar alturas e momento exacto em que estas foram tiradas.

Todos de olhos para o céu, à espera que o crepúsculo ofereça as suas melhores estrelas... afinal o primeiro a aparecer em toda a sua luminosidade é um planeta, Venus. Começam-se a ouvir os primeiros "FORA" dos alunos (ou seja "parem o cronómetro, pois neste instante marquei a minha altura"). A seguir aparecem outras estrelas (Capella e Procyon entre outras) que permitem obter mais umas rectas de altura para perceber a nossa posição.
Uma experiência diferente. Concerteza dentro da água é outra história...mas como se costuma dizer: "Quem vai para o Mar avia-se em terra".

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

GPS? Calculos náuticos? Observação visual?

Hoje em dia com o GPS, em qualquer momento do dia, podemos saber onde estamos com muita facilidade...

A imagem aqui em baixo mostra "a derrota" que o Tiago Pinhal, o Paulo Santos, o Luís Baptista e a Carla, próximos Patrões Locais, fizeram na aula prática do passado domingo.

Mas será que o GPS nos dá sempre a posição correcta a 100%?

Infelizmente não, o que significa que devemos continuar a manter uma navegação cuidada com base em métodos mais tradicionais. É o caso da navegação em águas restritas, que exige saber permanentemente se nos encontramos na zona segura; assim, para além dos recursos electrónicos (como o GPS e o radar), recorremos a ajudas visuais para definir linhas de posição e resguardos, não esquecendo a informação fornecida pela balizagem.

A navegação electrónica está cada vez mais desenvolvida e constitui um precioso auxiliar para o navegador; apenas salientamos que não devemos basear a nossa navegação exclusivamente nesta tecnologia, continuando a ser fundamental a observação do que nos rodeia para garantia da segurança da nossa e das outras embarcações.


segunda-feira, 1 de junho de 2009

O SEXTANTE

Não se preocupem...não se trata de uma arma de destruição de massa o que os nossos alunos estão a testar, nem se trata duma cena de guerra (embora haja um Guerra!) o que estas fotografias mostram...

Este instrumento "espacial" é o sextante, um instrumento elaborado para medir a abertura angular da vertical de um astro e o horizonte para fins de posicionamento global em navegação oceânica, mas que também pode ser usado em navegação costeira, para determinar distâncias a objectos de que se conheça a respectiva altitude (por exemplo, a faróis) mediante a leitura de um AVS (ângulo vertical de sextante) ou para definir um ou dois segmentos capazes através da leitura de um ou dois AHS (ângulo horizontal de sextante). O seu limbo tem uma extensão angular de 60º (origem da designação sextante) e está graduado de 0º a 120º. Nele corre uma alidade destinada a apontar o instrumento ao objecto visado e a realizar a leitura do ângulo medido. Um sistema de dupla reflexão, formado por um espelho móvel e um espelho fixo, permite efectuar a coincidência entre as imagens do horizonte visual e do objecto observado (ou dos dois objectos observados, no caso de se pretender medir o ângulo entre eles). O sextante marítimo, o mais comum, permite realizar medições angulares com uma exactidão de cerca de 0,5 minutos de arco. Devido à sua grande importância histórica na determinação da posição dos navios no mar, o sextante é o símbolo adoptado pela navegação marítima e pelos navegadores há mais de duzentos anos.

HISTÓRIA DO SEXTANTE

Em 1757, Campbell, um oficial da Marinha inglesa, alarga o arco do limbo do octante para 60º, nascendo assim o sextante. Mas foram precisos ainda mais vinte anos até que Tomaz Godfrey, um vidreiro de Filadélfia, lhe aplicasse dois espelhos dispostos de forma a coincidir as imagens de dois astros qualquer que fosse a distância a que se encontrassem, para que o sextante substituísse finalmente com vantagem o octante.

Medindo a altura do Sol acima do horizonte com um sextante
Até aos nossos dias foram aparecendo pequenas modificações de melhor adaptação ao uso corrente. Sem dúvida, de salientar a adaptação de um horizonte artificial aperfeiçoado pelo Almirante Gago Coutinho e usado em 1922 na travessia aérea Lisboa/Rio de Janeiro. Já em 1733, Hadley, depois de ter apresentado o octante, publicou a descrição de um instrumento para medir alturas de astros sem o horizonte visível, recorrendo a um nível curvo, que era chamado sextante de bolha. Durante décadas foi usado na aviação pois permitia que se obtivesse a altura no ponto de tangência da vertical do astro com o plano do nosso horizonte.

Medição do ângulo vertical do sextante (AVS)



Medição do ângulo horizontal do sextante (AHS)