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quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Curso ForçaCinco-3/4.Setembro: O Diario de bordo

Aproveitando o facto do cruzeiro ao Mediterrâneo, que organizámos em Agosto, se ter concluído em Portimão, lançámos o desafio de participar na viagem costeira de sentido inverso à efectuada em Julho, i.é, de Portimão até Lisboa com eventual escala em Sines.

Talvez por saberem que, normalmente, a vinda para norte é mais difícil, apenas se apresentaram 3 corajosos navegadores para a viagem.

Assim, à tripulação habitual destas andanças – o Hugo (armador / skipper do Special One) e o Pedro (da Confiquatro) – juntaram-se o Pedro Rosa, participante regular nos cursos e regatas da Confiquatro (tendo já concluído o Patrão Local e um ForçaDois) e recém chegado do dito cruzeiro ao Mediterrâneo, o Pedro Pereira, Patrão Local do mesmo curso do Rosa e o André Sant’anna Leite, Patrão de Costa, que se inseriu pela primeira vez numa das nossas actividades.

Para a posteridade fica aqui o Diario de bordo destes dias bem passados:

"Reunida a tripulação e após efectuado um curto estágio no Pápa Jorge, bar carismático da marina de Portimão, ultimaram-se os preparativos da embarcação, nomeadamente, a recolha e estiva do auxiliar.

Largámos às 0330 com um tempo bastante calmo. A seguir à Ponta da Piedade o vento deu um ar da sua graça e passámos a navegar exclusivamente à vela, inicialmente a uma velocidade de 5-6 nós, depois de 4-5 nós... 3-4 nós e puff!!... com o nascer do dia o vento foi dormir.
Ao contrário do habitual, a aproximação a Sagres e a dobragem do São Vicente foram perfeitamente tranquilas, tendo alguns tripulantes continuado a sonhar com aqueles pontos notáveis da nossa costa... sim, apenas sonharam, porque acabaram por acordar tão tarde que apenas os viram ao longe. Connosco navegavam outras embarcações, umas mais junto a terra, outras mais ao largo e regularmente eramos visitados pelos amigos golfinhos; mais próximo de Sines tivemos também o avistamento de uma tartaruga.
Por alturas do Cabo Sardão, o vento de novo, de W conforme previsto, mas com força 2 , pelo que mantivemos o motor, em baixa rotação, agora com o pano todo, combinação que permitia fazer uma média de cerca de 5 nós.
O rumo directo que levámos de São Vicente para Sines fazía-nos aproximar cada vez mais de terra, vendo-se nitidamente Vila Nova de Milfontes, Porto Covo, São Torpes e, finalmente, Sines onde chegámos pelas 1815... ooppss, a bomba de combustível agora encerra às 1800 aos sábados?!?!... engraçado, de semana é às 1900?!?!... junto a uma marina, ainda por cima de passagem como esta, é estranho...
Após cuidadas negociações ao telefone, conseguimos marcar um abastecimento para as 2200 e, assim, tratámos de imediato de nos irmos “abastecer” também. Mesa marcada para “O Mexilhão”, aí comparecemos para degustar uns mexilhões à Bulhão Pato, uma magnífica feijoada de chocos com camarão e um não menos excelente arroz de mexilhão... tudo devidamente regado pois nunca se sabe o dia de amanhã. 0445 zarpámos rumo a Lisboa. Onde raio está a luz vermelha que assinala o fim das pedras do molhe? Olhos postos na plotter, um resguardo à respectiva posição e aí vamos nós. Apesar do pouco descanso, não é a vista que nos atraiçoa... conseguimos ver a silhueta da bóia mas luz... népia! Está apagada (se calhar não pagaram a conta da luz eheheh!!!)
Uma ligeira brisa de sul mas com muitos saltos de direcção faz-nos seguir a motor. Passada uma hora que chatice, está a borriçar. Aos gorros juntam-se os capuzes... eh pá, não estamos no verão? Repentinamente, vento força 3 / 4 mas mesmo pela proa. Passa a força 4 / 5 mas com saltos permanentes: NW, N, NE, N, NW... então? Decide-te lá!... forma-se algum mar e a velocidade desce. Com motor e vela grande fazemos entre 4 e 5 nós em rumo directo ao Espichel que, entretanto, deixou de se ver com as nuvens.
Uma hora depois, céu praticamente limpo, vento de NW força 2, mar de pequena vaga e a SOG (speed over ground = velocidade verdadeira) na ordem dos 6 nós. E assim se manteve até à barra, com algum incremento do vento mais a norte. Às 1410 estamos “Entre Torres”, ou seja, no alinhamento do farol de São Julião com o do Bugio e, com a enchente que começou cerca de uma hora antes, foi “a abrir” até ao Parque das Nações. Até Belém ainda se fez o gosto ao dedo, só à vela, mas à passagem pela torre lá se foi o dito vento.
Chegada às 1630; embarcação no sítio e arrumada. Missão cumprida. "

terça-feira, 30 de agosto de 2011

3-4 Setembro: Portimão-Sines-Lisboa à vela


Navegar junto à costa portuguesa, de Portimão até Lisboa, a bordo de um veleiro, é POSSÍVEL.

Programa:
3.Setembro - Portimão-Sines
4.Setembro - Sines-Lisboa

Uma viagem costeira em formação e em companhia de quem, como tu, tem paixão pelo Mar.

Mais informações: escola.nautica@confiquatro.pt

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Training de vela ForçaCinco: uma história de Mar para contar

O passado fim de semana cumpriu-se a viagem de Lisboa até ao Algarve planeada para os participantes do Training de Vela ForçaCinco . Uma experiência marcante para quem gosta de aventuras náuticas.

Para os mais curiosos, aqui vai o diario de bordo deste fim de semana:

23/24.Julho: Lisboa-Sines-Portimão
"Após várias semanas em que o vento soprou de norte com forte intensidade, anunciava-se um fim de semana mais calmo... e, de facto, assim aconteceu.

0845 – à hora aprazada apresentaram-se os 6 valorosos formandos dispostos a enfrentar a viagem costeira até ao Algarve: o casal Sander Gomes e Elisabete Moreira, com a experiência anterior de um baptismo de vela; o Renato Ribeiro, Patrão Local formado pela Confiquatro e armador de um pequeno veleiro com que regularmente sulca as águas do rio Tejo; o Guilherme Martins, também Patrão Local e que no ano passado nos acompanhou no treino de mar ao golfo de Cádiz; os seus amigos João Carvalho e Ricardo Rafael, mais ou menos estreantes nestas andanças.
Connosco seguiam também o Hugo Mendes, Patrão de Costa e armador do Special One e o Marco Santos, Patrão Local da última fornada da Confiquatro. Do Parque das Nações navegámos até ao Porto de Recreio de Oeiras, para encontro com o Mabi IV, do João Bitoque, que nos acompanhou nesta viagem.
À largada de Oeiras, pelas 1130, brisa ligeira que nos obrigou a usar um pouco de “vento de porão” de modo a não perdermos de vista o Mabi IV e também para garantir que chegávamos a tempo de jantar em Sines.

A aproximação ao Espichel trouxe mais vento, até quase aos 20 nós reais, e passámos a baloiçar um pouco mais ao sabor do mar. Decidimos cambar e seguir em direcção à costa, colocando-nos ao abrigo do cabo e, assim, tentar poupar um pouco alguns estômagos mais sensíveis.

A cerca de 15 milhas de Sines o vento foi amainando e pouco depois começámos a avistar as primeiras chaminés características daquela região.

Às 2000 chegámos à pacata vila de Sines que, desta vez, apresentava um movimento fora do normal, fruto de estar a decorrer o Festival das Músicas do Mundo.

Acompanhados pela tripulação do Mabi IV – João Bitoque, Fernando Gonçalves, Isabel Ribeiro e Maria do Carmo, também eles ex e actuais formandos da Confiquatro – lá fomos até ao restaurante “O Mexilhão” que estava completamente cheio.
A decisão de esperar cerca de uma hora revelou-se acertada pois a magnífica massada de cherne rapidamente levou a que esquecessemos a espera.

Depois de um breve descanso, largámos amarras às 0330 para cumprirmos a navegação nocturna prometida.
A neblina não permitiu a identificação de faróis na costa e o muito pouco vento obrigou, de novo, ao uso do motor.Sensivelmente a meio caminho do Cabo de S. Vicente entrámos no nevoeiro e foi a oportunidade de explorar as potencialidades do radar. Como o Mabi IV ainda não dispõe deste equipamento e, entretanto, se tinha “perdido” de nós, aproveitámos para marcar um “encontro” no mar, comunicando as nossas posições via rádio e definindo um ponto de reunião.

Curiosamente, quando tal aconteceu o nevoeiro dissipou-se e, pouco depois, passámos o CSV com um tempo radioso, a anunciar o clima habitual do Algarve. Daí até Portimão foi uma navegação à vista, absolutamente tranquila e relaxante, com mar chão, tendo a tripulação feito o sacrifício de se entregar aos prazeres da comida e bebida tipicamente portugueses.

1700 - chegada à Marina de Portimão e conclusão de mais um treino de mar costeiro."
Considerado o interesse que suscitou esta viagem, de certeza será um desafio que voltaremos a propor em breve. Fiquem portanto atentos com as novidades!