quinta-feira, 23 de abril de 2009

Os Patrões de Costa a navegar a costa atlântica!

Luís Guerra
João Cruz
Luís Marques
Tatiana Paoli
António Ferreira (convidado especial - já Patrão)
Pedro Gomes (formador)
A largada de Alcântara/Lisboa
A noite prometia ser fria...
Coca-Cola? Só para disfarçar...
Que bem se está no mar...
Então, não vem mais uma loira? Cerveja, claro!
Entrada no porto de Sines com o dia recém nascido
Preparando a manobra de atracação
Que curso tão completo... até se fazem reparações!
Eh pá! Era mesmo grande...
Hum!... para cima levamos o do lado
Um strumf em Sines?
Belo arroz de mexilhão... para retemperar forças
O "dream team" em Sines
Nada como uns bordos ao largo de Sines para digerir o dito arroz... nem a chuva assusta a equipa
Um jantar com "toque" italiano para sossegar a tripulação
Hein... ainda não adormeci já me estão a acordar?
O novo dia promete Sol e Vento
Vamos relembrar o RIEAM: rebocadores, navios gigantes,... como é que é?
A visita dos golfinhos - acreditem, não parece mas é :) - palavra de Tati
O pôr do sol já sobre a baía de Cascais

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Sorriso de gelo

Esta espécie de sorriso sem dentes é um iceberg a boiar na Antartida. Mas não se deixem enganar! Atrás desta silhueta amigável se esconde uma armadilha capaz de enganar até os navegantes mais profissionais. Trata-se dum bergy bit (pequena massa de gelo em inglês) um bloco de gelo cuja parte emergida não supera os 4 metros de altura. Um iceberg extra-small difícil de avistar de longe, pelo que muito navios vão chocar contra dele. E não é uma grande experiência: a parte submergida pode chegar até os 30 metros (quanto um prédio de 10 andares...)

Um Naufrágio Sem Náufragos (2ª parte)

(2ª parte)
O comandante Alonso Zeiber, não vendo o veleiro que devia pilotar, sem duvida decidira ancorar perto da costa para o esperar. Contudo, o andamento da escuna tinha qualquer coisa de estranho. Ao aproximar-se de terra, a sua velocidade não diminuiu, pelo contrário, aumentou. Por outro lado, a sua rota dirigia-o para paragens perigosas, atulhado de recifes e de bancos, notadamente o perigoso espigão de Clatsop, no qual mais do que um navio encalhara por causa da bruma, do mau tempo ou ainda da inexperiência dos seus comandantes.
O J.C.Cousins cortou a rota de um pequeno veleiro cujos tripulantes observavam o andamento da escuna com estupefacção. Estupefacção também experimentada pelos vigias do cabo Canby. Onde ia, portanto, Alonso Zeiber, esse marinheiro credenciado? Porque é que ele, que conhecia todos os perigos da costa, dirigia a sua embarcação em direcção a paragens que tinha feito evitar tantas vezes aos navios que pilotava?
- Certamente uma avaria – disse um dos vigias.
Isso poderia ser verdadeiro. A barra do leme estava bloqueada em consequência da quebra da transmissão. Ou um navio destruído tinha abalroando-o, falseado a ponta do leme. Nesse caso, porque Zeiber não levava as suas velas, não tentava uma manobra, uma volta desesperada de bordo? Ou ainda porque razão não fundeava as suas âncoras para evitar uma catástrofe?
Perguntas sem resposta. O J.C.Cousins continuava o seu curso em direcção à costa. O seu curso mortal. A bordo deviam já distinguir a mudança de cor do mar que anunciava os baixios e essa ligeira ressaca que revelava os bancos de areia. E, por trás desses bancos, o espigão Clatsop, e ainda por trás, a ponta Adams, esse esporão rochoso que encobria matas de pinheiros finos com os troncos torcidos pelos ventos do largo. E tudo isso, para a escuna, tinha a face de um naufrágio.
Um naufrágio absurdo. Causado nem pela tempestade, nem pela bruma, mas por uma força maléfica, uma força misteriosa que empurrava o J.C. Cousins em direcção a terra.
Se Zeiber não retomasse o controlo da sua embarcação, o casco elegante, o velame harmonioso, aquela obra-prima da construção naval, não seria em breve mais do que destroços, um emaranhado de madeira, cordame e telas que uma próxima tempestade dispersaria.
E esse naufrágio, essa morte de um navio, parecia tanto mais absurda, quanto teve lugar naquelas águas calmas, com aquele bom tempo, sob uma luz radiosa que simbolizava todas as belezas e todas as felicidades do mar.
O espigão de Clatsop não estava a mais de uma meia milha do J.C.Cousins. Estava ainda a tempo de dar meia volta. Havia ainda água suficiente diante da escuna para que esta evoluísse, para que ela passasse rente aos bancos de areia, para que retomasse ao largo, isto é, à vida.
Dentro de cinco ou dez minutos no máximo, seria demasiado tarde.
(continua)

terça-feira, 14 de abril de 2009

Patrão de Costa: estudo da viagem a Sines

Faltam só os últimos detalhes para os Patrões de Costa acabarem o estudo da viagem de 3 dias que faz parte do programa da nossa escola.

O destino escolhido para o "Lima Golf", o "Lima Mike", o "Juliet Charlie" e a "Tango Papa" é Sines , porto ao qual chegarão no próximo sábado de manhã, depois de uma navegação nocturna estimada (e carteada) de 10/11 horas.







Uma alternativa ao esqui náutico...


Dois homens a "esquiar" no rio Elba, na Alemanha. Na realidade não são esquis o que têm nos pés mas pequenas canoas de dois metros de comprimento; para avançar é preciso remar com os bastões de esqui. Esta actividade desportiva é apropriada em águas de lagos e rios onde só os mais treinados podem conseguir velocidades notáveis . Claro... nada têm a ver com aquelas que se podem conseguir com o esqui náutico (já nos anos 20 o seu inventor, Ralph Samuelson, atingiu os 130 km com duas tábuas de madeira nos pés, deixando-se arrastar por um hidroavião).

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Training de vela

Domingo espectacular de sol e vento para os formandos do Diocleciano... e pensar que o Bugio foi quase colonizado!







Um Naufrágio Sem Náufragos

Agradecemos novamente ao Luís Guerra pela participação activa no blog, especialmente nesta parte mais literária que nos permite "navegar" até quando não estamos no mar !

Um Naufrágio Sem Náufragos é o 2º conto desta série "Contos do Mar". Como o anterior, faz parte das Histórias Maritimas Extraordinárias de Robert de la Croix.

Um Naufrágio Sem Náufragos (1ª parte)


O Ourang Medan foraencontrado com a sua tripulação morta. Sobre os destroços do J.C.Cousins não havia ninguém. Como se esse veleiro tivesse sido tomado pela loucura, entregou-se a uma navegação extraordinária e náufraga – um naufrágio por causa do bom tempo, inexplicável – e, sobre os destroços, nenhuma pista do comandante e dos seus homens. É o enigma absoluto.
Estamos a 7 d Outubro de 1883, na costa oeste dos Estados Unidos, à entrada de Columbia cujo estuário é atravessado por navios que se dirigiam para Astoria, Longview, Vancouver ou Portland. Um estuário insalubre, com uma barra perigosa e correntes inconstantes que podiam atingir seis a oito nós, correntes que conduziam a escolhos ou bancos de areia, como o banco Baker ou “o espigão de Clatsop”, de sinistra reputação. Os comandantes, sobretudo os dos navios estrangeiros, recorriam, por conseguinte, aos barcos - pilotos para poderem transpor as passagens sem dificuldades.
Naquela época, o mais conhecido desses barcos - pilotos era o J.C.Cousins. Não só porque o seu comandante, Alonso Zeiber, era um hábil manobrador que sabia desarmar as ratoeiras das correntes e evitar os escolhos e os baixios, mas também porque a sua embarcação é uma bela escuna: casco fino e elevado, dois mastros inclinados sobre a popa e acabamentos luxuosos em teca e acaju.
O J.C.Cousins, antes de ser um humilde e dedicado barco - piloto, fora um iate que pertencera a um milionário de São Francisco, iate célebre ao longo da costa californiana. O seu proprietário, seja porque estivesse demasiado velho para navegar, ou seja porque tivesse tido demasiados reveses de fortuna, vendera a escuna a uns armadores de Astoria , que fizeram dele um barco - piloto e confiaram o comando ao comandante Alonso Zeiber.
Na véspera desse dia, portanto 6 de Outubro, o J.C.Cousins cruzara ao largo do estuário. Tinha como missão pilotar um veleiro de três mastros francês proveniente do Japão e que subia até Portland. O veleiro tardava. No crepúsculo, o J.C.Cousins arribou a uma pequena enseada. De manhã, os vigias de Fort Canby, onde se encontrava uma estação de salvamento, viram a escuna levantar âncora e com todo o velame erguido, meter rumo a oeste ao encontro do veleiro de três mastros francês.
Estava bom tempo. O sol espalhava uma fina luz, como polvilhada sobre um mar de um vede azulado por onde se insinuavam os rastos azuis pálidos das correntes. Barcos de pesca com velas multicolores seguiam as suas redes. Os rolos de fumo de um rebocador pairavam num ar calmo. Um veleiro de três mastros manobrava para entrar no estuário. A costa, que se tornava branca nos nimbados longínquos duma ligeira bruma, dominada pelo cume coberto de neve do monte de Santa Helena, enquadrava este quadro marítimo de onde se desprendia uma impressão surda de felicidade e de equilíbrio. Felicidade e equilíbrio que simbolizavam a pirâmide de velas imaculadas que ultrapassava o elegante casco negro do J.C. Cousins, imagem de uma divindade reinante sobre a beleza do mar.
De repente, qualquer coisa naquele quadro quase demasiado perfeito alterou-se. E precisamente por causa da escuna. Ela seguia a boa velocidade, apesar da brisa suave, deixando atrás de si um fino rasto de espuma sussurrante. Percorrera algumas milhas quando mudou de rota. Uma mudança primeiramente quase imperceptível, de alguns graus. Depois, como sob um brusca volta de leme, o J.C.Cousins navegou paralelamente à costa durante cerca de um quarto de hora antes de se dirigir a terra.
Os barcos de pesca continuaram a puxar as suas redes. O rebocador aproximou-se do veleiro de três mastros. Um veleiro saía do estuário, majestosamente e fazia-se ao largo. A luz estava ainda delicada, sugerindo calma e felicidade de viver. E eis que esta harmonia foi quebrada pelo andamento louco, incompreensível, da escuna, rumo a um objectivo misterioso.
(continua)

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Andorinha do mar ou pata de gaivota?

Esta magnífica fotografia que foi tirada no sábado passado, dia da saída grande dos Patrões Locais, tornou-se objecto de um grande mistério para desvendar...

Conseguem ver aquele UFO (unidentified flying object) que assinalamos com a seta??

Quem adivinhar do que se trata será premiado com uma simpatica prenda :))

Já recebemos algumas suposições:
- andorinha do mar
- a pata partida da gaivota no canto superior direito...

Resposta...só daqui a uns dias!


quinta-feira, 2 de abril de 2009

Os Patrões Locais a navegar

Mais uma aula de formação prática no Tejo para o André, o Diogo, o Nuno e a Filipa, os nossos próximos Patrões Locais.
Um espléndido dia de sol e imenso vento: a condição óptima para pôr em prática, várias manobras, em particular a de Homem ao Mar...À falta de voluntários teve de avançar uma defensa!

















quarta-feira, 1 de abril de 2009

UM RADAR HUMANO NO SÉCULO XVIII - 3ª e última parte

UM RADAR HUMANO NO SÉCULO XVIII - 3ª e última parte

(continuação – 3ª / última parte)

Sente que Bottineau lhe pede o seu apoio, mas ele não quer e não pode comprometer-se com uma questão que, de resto, não é da sua competência
Despediu cortesmente o seu visitante com vagas promessas.
Perante esta solidão, Bottineau, num momento desencorajador, reagiu.
Os segredos da sua nova ciência, esta “nauscopia”, chamada a alterar os métodos de navegação, serão revelados ao público. Decide-se mandar imprimir, à sua custa, uma obra que, espera, chamará a atenção, dos indiferentes e convencerá os incrédulos. Iria ser então conhecido o segredo de Bottineau?
Abramos o livro. Bottineau conta, antes de mais nada, as circunstâncias da sua descoberta e apresenta a relação dos seus sucessos.
Depois, passa às explicações: «Quando uma unidade se aproxima de terra ou de outro barco, produz-se um meteoro de natureza particular». Qual é esse meteoro?
«Os vapores voláteis, encerrados no seio do mar, escapam-se através das esteiras e elevam-se em rebuliço para compor um vasto invólucro que avança com ele».
E de onde vêm esses «vapores voláteis»? Escutemos ainda Bottineau: «O vasto numero de animais, de aves, de produções vegetais, de minerais, decompõem-se no seio da água, produzem uma fermentação continua da matéria (…) Quando o mar é posto em movimento por uma tempestade ou por uma massa activa (um navio, por exemplo), os vapores voláteis escapam-se das profundezas e elevam-se como fumaça, compondo um vasto invólucro em redor do barco. Esse invólucro avança com ele e aumente a cada momento por causa das novas emanações».
Bottineau precisava que esses vapores se confundiam geralmente com a atmosfera, mas, a partir do momento em que o navio atinge uma posição em que ele se mistura com outros vapores homogéneos, tais como os que se escapam da terra, apercebemo-nos que essa nuvem adquire consistência e cor, devido à mistura das duas colunas opostas».
Por outras palavras, o navio fica rodeado por uma espécie de nuvem que, encontrando uma outra nuvem, se tornaria visível a um observador experimentado.
«Toda a minha ciência», afirma ainda Etienne Bottineau, «reside na capacidade de seguir a aparição desse meteoro, (…) Para estas observações não é necessário qualquer telescópio ou instrumento matemático, os olhos são suficientes».
Bottineau esperava que a publicação da Nauscopia chamasse a atenção sobre ele. O director do Journal General de la France, o abade de Fontenay, falou, com efeito, para denegrir Bottineau, cujo livro não suscitou nele senão “menosprezo e escárnio”. Não eram navios no mar que Bottineau vira, mas «castelos nas nuvens».
É o inicio de uma campanha de difamação que o infeliz Bottineau, já deprimido pelo silencio do marechal de Castries e a reserva de Bernardino de Saint-Pierre, suporta mal. Protesta, grita contra a perseguição. O abade de Fontenay continua os seus ataques. Bottineau ameaça instaurar-lhe um processo. A polémica agrava-se ao redor deste homem bizarro, vindo de uma ilha longínqua, que tem a pretensão de ver navios por detrás do horizonte. Uns gritavam perante a impostura. Outros admitem que a teoria e as experiencias de Bottineau podem abrir novas perspectivas à ciência. Entre estes últimos, um médico militar da guarda do conde de Artois, que também é físico. Acaba de publicar um tratado de óptica no qual critica as teorias de Newton sobre a luz. A «nauscopia» intriga-o. Implica, sem dúvida, uma nova hipótese de da propagação dos raios luminosos. O nome desse médico? Jean-Paul Marat, o futuro “amigo do povo”.
Além disso, Marat interessa-se pelas coisas da navegação. Segue os trabalhos dum dos seus raros amigos (tem um carácter difícil), Abraham Breguet, nascido na Suíça como ele, o relojoeiro que vai pôr em ordem um cronómetro da Marinha. Marat privilegia, por conseguinte, a importância da «nauscopia» para os navegadores.
Há uma outra razão para o interesse e a simpatia que Marat nutre por Bottineau. Este é uma espécie de perseguido. A ciência oficial e as pessoas no poder consideram com indiferença ou com despreza a “nauscopia”. Ora ele, Marat, sofre também por causa da atitude dos membros da Academia das Ciências a seu respeito. É preciso dizer que o comportamento de Marat não facilita nada as coisas. Contra os seus detractores, utiliza injúrias, vias de facto e até ameaças de duelo!
É Marat que aconselhará Bottineau a instaurar um processo ao seu principal detractor, o abade de Fontenay. É ainda Marat que enviará dois exemplares de Nauscopia a algumas personalidaddes, na Inglaterra, sem qualque resultado aparente, aliás. É talvez também sob seu impulso que Bottineau terá efectuado experiencias no porto de Brest. Brenardino de Saint-Pierre faz alusão às suas experiencias no registo das suas conversas com Bottineau e afirma que estes haviam falhado.
Parece, finalmente, que a protecção desordenada de Marat não foi nada benéfica a Bottineau. Aliás, Marat abandonará, pouco a pouco, a ciência pela actividade política e o autor da “nauscopia” perderá o seu último protector.
Minado pele decepção e pela incompreensão dos seus compatriotas, Etienne Bottineau morreu numa data que se pode situar por volta de 1788.
Levou consigo o segredo da “nauscopia”.
«Se devo acabar a minha vida com decepção e humilhação», escrevera Bottineau, «antes de ter podido explicar a minha descoberta, o mundo será, sem dúvida, privado durante um certo tempo de uma arte que teria feito as honras do século XVIII».
Sobre a natureza desta arte ainda se interrogam as pessoas, O caso de Etienne Bottineau representa um enigma. Não se pode falar de impostura. Os testemunhos das suas visões são demasiado numerosos para que se possa falar de ilusão colectiva, tanto mais que esses testemunhos provêm de pessoas, a priori, incrédulas e nada suspeitas de indulgência face a Bottineau.
Seria ele dotado de um dom excepcional? A recolha de factos históricos refere o caso de um siciliano capaz, a partir do promontório de Marsala, de distinguir os navios que entravam no porto de Tunis, a uma distância de duzentos quilómetros. Os anais médicos citam alguns casos parecidos. Por exemplo, o de uma inglesa que vivia em Suffolk, no decurso de 1950. A sua acuidade visual era duas vezes mais forte do que um indivíduo normal.
Admitindo, todavia que Bottineau fosse também dotado duma tal visão, o alcance desta teria sido de qualquer modo inferior ao alcance dos binóculos dos vigias. Ora os testemunhos são formais: Bottineau descobria a presença dos navios muito antes destes últimos.
Era então uma miragem? Era uma das hipóteses de Bernardino de Saint-Pierre e, depois dele, de certos escritores científicos. Mas uma miragem produz-se em circunstâncias fortuitas e bem determinadas. No mar, nomeadamente, é preciso que a água seja mais quente do que o ar. É inconcebível que essas condições tenham sido produzidas durante todas as observações de Bottineau – uma quinzena de anos. A hipótese da miragem, ou em rigor, da observação do voo das aves, não pode ser considerada senão em casos muito precisos.
Resta uma outra explicação: a do próprio Bottineau na sua Nauscopia . Sublinhemos bem que ele não afirmava ver os navios mas somente os meteoros que se encontravam em redor deles. Mas o que são exactamente esses meteoros que têm forma, cor, consistência? É preciso confessar que o que nos diz Bottineau nos deixa perplexos. Lendo bem as suas explicações, não chegamos a compreender a natureza exacta desses meteoros. A conclusão será que, mesmo se a acuidade visual de Bottineau fosse normal, a retina dos seus olhos seria extremamente sensível a certas colorações, a certas estruturas da atmosfera.
(…) Na obra Invisible Horizon, Vincent Gaddis expõe uma teoria sedutora, por muito que seja frágil. «As observações de Bottineau», escreve ele, «eram não de carácter objectivo, mas subjectivo. Os “meteoros” consttituem projecções do seu próprio espírito.» Por outras palavras, Bottineau tinha poderes de vidência e a essa vidência completamente interior, ele dava inconscientemente uma aparência física.
O caso Bottineau continua a ser para nós, como para os seus contemporâneos, um enigma por resolver. No entanto, faz aparecer um desses sonhos incensatos como por vezes o mar suscita. O sonho dos homens, a quem a luta quotidiana com ele teria conferido um pouco dos poderes mágicos que lhe concedemos.
F I M